segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Jesus transforma agua em vinho

           No Evangelho segundo João, precisamente no capítulo 2, é relatado o primeiro milagre de Jesus, a transformação da agua em vinho. O texto começa dizendo que houve um casamento em Caná da Galileia, no qual estavam presentes Jesus, Maria e os discípulos dele e, nesse contexto, quero pensar sobre dois pontos importantíssimos. 
 
            Primeiro, quando o vinho acabou, Maria voltando-se para Jesus disse: “eles não têm mais vinho” (versículo 3). Ela fez o correto. A Bíblia nos ensina a correr para Deus e conversar com Ele a respeito de todas as coisas que acontecem conosco, contudo, é válido lembrar a resposta de Jesus a ela: “[...] A minha hora ainda não chegou”. Quando se lê apenas os primeiros versos da escrita de João a respeito deste primeiro milagre, pensa-se que Jesus pode ter sido áspero com Maria após sua sinceridade em dizer que o vinho havia acabado, todavia, ao chegar ao fim do texto entende-se claramente o posicionamento Daquele que sempre sabe de todas as coisas. 
            Entendo perfeitamente a forma como Maria agiu. Eu também ajo desta forma em diversas circunstâncias. Corro para Deus como se os meus problemas merecessem toda a atenção e precisassem ser resolvidos naquele momento e de qualquer forma. Contudo, Jesus deixou bem claro que o tempo Dele é diferente do nosso. Ele enxerga além e sabe como resolver para que tudo resulte em sua glória. 
            O Senhor poderia ter feito aparecer vinho de formas mais simples, mas escolheu fazer o mais complexo aos olhos humanos para que a glória fosse ainda maior. Mandou que os seis potes de pedra fossem cheios de água. O encarregado da festa, após provar a agua transformada em vinho, mandou chamar o noivo e disse que, normalmente, serve-se primeiro o vinho bom para depois servirem um de nível baixo, contudo, ficou surpreso com a qualidade daquele que estava a tomar. - Jesus gosta de fazer esse tipo de coisa; ama surpreender as pessoas. Quando todos estavam conformados, foi necessário acabar e trazer um novo. Mas, além de ceder outra bebida, fez dela muito melhor do que a primeira, a qual estava sendo servida aos convidados. 
            No versículo 11 está o resultado da espera de Jesus e do Seu agir no momento oportuno: “[...] Revelou assim a sua glória, e os seus discípulos creram nele”. – Devemos guardar esta verdade em nossos corações. Espero em Deus que saibamos correr para os pés do Senhor e derramar nossas ansiedades, mas sempre entendendo que o tempo Dele é o melhor e que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8:28). Que saibamos dar graças a Ele em todo tempo e fazer com que nossas atitudes glorifiquem Seu nome. 


Resenha do livro "A Reforma. O que você precisa saber e por quê", de John Stott e Michael Reeves.

STOTT, John; REEVES, Michael. A Reforma: o que você precisa saber e por quê. 1. Ed. Viçosa – Minas Gerais: Editora Ultimato, 2017, 96 p.
 

            John Stott, um dos autores mais requisitados dentro da teologia, nasceu no ano de 1921, em Londres, Reino Unido. Dentro de seu padrão textual, deparamo-nos sempre com sua linha expositiva e histórica, mas sem perder a reflexão e o dinamismo. Sua linguagem é requintada, entretanto, não dificulta a compreensão de pessoas que não estão acostumadas com textos rebuscados. Pastor, e doutor em teologia, foi presidente da All Souls Church, na Inglaterra, e escreveu muitos livros, dentre eles A Cruz de Cristo, A Verdade do Evangelho e Crer é também pensar. Faleceu em 2011. Michael Reeves também pastoreou a All Souls Church, e hoje atua como professor de teologia na Union School of Theology. Foi também conselheiro teológico da Associação de Universidades Cristãs do Reino Unido. É autor de livros como, por exemplo, Why Reformation Still Matters e A Chama Inextinguível
            A Reforma é uma espécie de guia para pessoas que não conhecem profundamente um dos maiores marcos da humanidade, a Reforma Protestante. Após o sumário, a obra se inicia com uma belíssima linha do tempo onde é possível analisarmos quem foram os principais reformadores e o período em que vieram ao mundo. Por exemplo, temos nomes fortíssimos impregnados no livro escrito pelos britânicos citados anteriormente: Johannes Gutenberg (o inventor da prensa móvel), Martinho Lutero, João Calvino e John Knox.
            A primeira parte aborda a história e a importância da Reforma na Igreja e na sociedade como um todo. É executável a prática de observação sobre a vida de Martinho Lutero e o quanto ele foi um instrumento nas mãos do Criador para libertar a população de um falso evangelho, falsas doutrinas que se anunciavam como verdadeiras enquanto “autoridades” impunham mentiras como verdades, onde a indústria do purgatório estava ativa vendendo indulgências, sem caráter e senso crítico.
Na época em que Lutero foi transferido para o monastério agostiniano na pequena cidade de Wittenberg, um local pequeno, mas que era a capital do Eleitorado da Saxônia, ele teve seus olhos descortinados podendo, então, enxergar os milhares de relíquias que estavam presentes na Igreja do Castelo. Os corredores lotados mostravam, infelizmente, peças que diziam ser, citando caso parecido, um prego da cruz de Cristo, um pedaço de sua barba e até um galho da sarça ardente de Moisés. 
Depois de analisar e conhecer as Escrituras como elas de fato são, Martinho Lutero foi confrontado a realizar a mudança que o mundo precisava àquela altura. O Evangelho significa Boas Novas, e ele sabia desse grande detalhe. Então, no dia 31 de Outubro de 1517, Lutero afixou suas 95 teses na porta da Igreja do Castelo, em Wittenberg, na Alemanha, convidando o povo a debater a respeito das indulgências e, claro, dentre elas estavam inclusos questionamentos a respeito da postura adotada pelo papa: “Por que o papa não libertava todas as almas por amor, em vez de cobrar por elas?” (REEVES, Michael. Página 25).
À luz da Bíblia, os reformadores compreenderam que nenhum homem é capaz de salvar-se a si mesmo. Todos carecem da graça e da misericórdia de Deus que, todos os dias, dá provas de seu amor, sendo a maior delas, claro, ter enviado seu único filho para passar por uma morte de vergonha e dor, mas ressurgindo ao terceiro dia. Martinho Lutero deparou-se com 2 Timóteo 3:16 (“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça”), formando, então, o primeiro pilar da Reforma Protestante, Sola Scriptura (Só a Escritura/Bíblia). Solus Christus (Só Cristo) comprova-se com 1 Timóteo 2:5-6 (“Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo”) e Atos 4:12 (“Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos”). Sola Gratia (Só a Graça) aniquila toda forma de pagamento de indulgência: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês é dom de Deus; não por obras para que ninguém se glorie” – Efésios 2:8-9. Este mesmo versículo explica o Sola Fide (Só a fé), complementado por Romanos 1:17: “Porque no evangelho é revelada a justiça de Deus, uma justiça que do princípio ao fim é pela fé, como está escrito: ‘O justo viverá pela fé’”. Soli Deo Gloria (Só a Deus a glória) é marcada por Romanos 11:36: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.”. 
A%2BReformaPor fim, Martinho Lutero sofre perseguições e é tentado a desistir, no entanto, o que ardia em seu coração, assim como nos de outros reformadores, era infinitamente maior do que o medo da morte. As Boas Novas precisavam, e precisam, ser pregadas e anunciadas conforme Jesus Cristo havia ensinado aos seus discípulos. 
É um ótimo livro, riquíssimo em fatos e deixa o leitor à vontade para analisar o contexto e os relatos, porém, sem perder o toque pessoal de cada autor. Usando da ousadia, diria que seria singular se a obra de John Stott e Michael Reeves possuísse algumas páginas além das quais estão presentes, pois é um tema atraente, importante e histórico. Sem dúvidas, indico-o para àqueles que desejam conhecer mais a respeito da Reforma Protestante, dos papéis desempenhados pelos reformadores, das lutas de Marinho Lutero e do quão importante é conhecer as Escrituras e não se deixar enganar por falsas doutrinas e boa oratória. 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Os ensinamentos do Salmo 1



Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a correntes de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido. Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa. Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos. Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.
Salmos 1

            Dentro do primeiro Salmo da Bíblia podemos extrair grandes lições para nossa vida, obviamente, pois ele faz parte da Palavra de Deus, a qual é “viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hebreus 4:12). Dividi os versículos para analisarmos um por um de acordo com outras passagens bíblicas que serão aqui expostas. 

            Explanação

1 - “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.”

            Costumeiramente ouvimos nas congregações líderes aconselhando-nos a anunciarmos o Evangelho e, principalmente, vivê-lo, entretanto, também levam a sério o fato de termos discernimento e cautela ao convivermos com pessoas que ainda não conhecem a Cristo. Por exemplo, uma das coisas mais fáceis de adquirirmos com a convivência são as gírias e dialetos falados pelas pessoas com quem passamos a maior parte do tempo. O apóstolo Paulo, escrevendo sua carta à igreja de Corinto (uma congregação problemática), disse: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Coríntios 15:33). Somos falhos, pecadores e temos uma carne que milita contra o espírito, portanto, estejamos vigilantes quanto aos nossos círculos de amizade e o grau de envolvimento que temos com aqueles que podem nos levar a caminhos tortuosos. 

2 – “Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.”

            Precisamos de organização, pois, sem ela, passamos a correr durante todo o dia, mas sem produzir com qualidade. Amar a lei do Senhor vai além de nos debruçarmos sobre ela durante um dia inteiro, mas pensarmos, obedecermos e vivermos os preceitos que o Senhor nos ensina todos os dias através da Bíblia. O Antigo Testamento é cheio de palavras lançadas ao povo de Israel para que obedeçam a Deus e o amem de todo coração. A partir do capítulo 10 de Deuteronômio lemos sobre segundas tábuas da Lei e as exortações à obediência, contudo, Deus se preocupou em reservar o final do capítulo citado e, praticamente, todo o décimo primeiro para falar deste mesmo tema. Ou seja, podemos concluir que amar a lei do nosso Pai é também conhecer, obedecê-la e, claro, prosseguir neste mesmo alvo. “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma; atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por frontal entre os olhos. Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos. Escrevei-as nos umbrais de vossa casa e nas vossas portas [...]” (Deuteronômio 11:18-20).

3 – “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido.”

            Tive que fazer subdivisões neste versículo em razão da quantidade de temas que se encaixam no mesmo. Começamos, então, falando a respeito dos frutos que são dados em seu devido tempo pela árvore que está plantada junto a corrente de águas. Alguns cristãos crescem rapidamente na fé, no conhecimento e na graça de Deus, outros, porém, demoram a amadurecer. Fazendo uma ponte com os ensinamentos de Cristo revelados nos evangelhos, é possível lembrarmos de pessoas que achamos servir a Deus, todavia, não vemos características do Mestre na vida que levam. Vem-me, então, o momento em que Jesus adverte-nos a respeito dos falsos profetas e do quão perigosos eles são. Diante da exposição a cerca deles, Cristo fala: “Pelos frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (Mateus 7:16). Aprendo, portanto, que aquele que frutifica “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5:22-23) está tendo seu caráter moldado ao do Filho de Deus. Sim, a árvore que está plantada junto ao Rio, ela frutificará pelo Espírito. 

            Jesus nos disse que teríamos aflições, mas que tivéssemos bom ânimo (João 16:33). Quando desejamos viver uma vida de compromisso com Deus e seus ensinamentos, seremos julgados, criticados e perseguidos pela sociedade ímpia, pois o mundo jaz no maligno (1 João 5:19). Todavia, somos confortados por Deus para confortarmos outros, como o Senhor fez com o apóstolo Paulo. O Salmo nos diz que a folhagem da árvore que está junto a corrente de águas não murcha e isso pode ser explicado também por 2 Coríntios 4:8-9: “Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos”.  Os problemas não são capazes de nos destruir, pois quem nos guarda e fortalece é o Criador de todas as coisas. 

            O primeiro Salmo também deixa claro que o homem que pratica todas as coisas mencionadas anteriormente será bem sucedido em tudo que fizer, o que traz a memória Provérbios 16:3: “Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos”. Muitos de nós ainda vivem, infelizmente, por tomar suas próprias decisões sem consultar a Deus e consagrar a eles seus planos e projetos. Devemos ter prazer na lei do Senhor, frutificar pelo Espírito, mas também dirigir a eles nossos anseios, dos pequenos aos mais intensos e profundos. A Bíblia nos diz que devemos sempre fazer tudo para a glória de Deus, seja comendo, bebendo ou praticando qualquer outra coisa (1 Coríntios 10:31), ou seja, consagremos tudo a Deus e esperemos seu direcionamento. 

4, 5 e 6 –“Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa. Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos. Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.”

            Os três últimos versículos se iniciam fazendo diferença entre os justos e os ímpios, ou seja, são opostos. Olhamos para o mundo e vemos as injustiças que se seguem, entretanto, esquecemos de atentar para o fim daqueles que agem com maldade e esquecem do Deus Altíssimo. Os ímpios vivem com orgulho e autossuficiência, achando que são donos do fôlego que corre por seus corpos. Asafe, o salmista, quase desviou-se do caminho ao olhar para a prosperidade do povo citado anteriormente, cujo relato se encontra no Salmo 73, mas, ao olhar para o fim deles, pôde entender a dissemelhança entre o justo e o injusto. Asafe declarou: “Todavia, estou sempre contigo, tu me seguras pela minha mão direita. Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória. Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre. Os que se afastam de ti, eis que perecem; tu destróis todos os que são infiéis para contigo. Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os teus feitos.” (Salmos 73:23-28).  Para encerrar os comentários a respeito destes últimos versículos lembremos também que o homem vive como quer, pratica seus atos de desobediência e rebeldia durante algum tempo, pois “o Senhor é tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado” (Naum 1:3).

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Reflexão: O que a Bíblia fala sobre os acontecimentos e questionamentos humanos?



            Desde cedo ouvi meus pais comentarem sobre Jesus. As tradições sempre estiveram presentes dentro da família, inclusive, meu avô costumava brigar conosco se colocássemos o dinheiro acima do pedido da bênção diária. No entanto, não conheci Jesus assim. Fui encontrada por Ele quando não imaginava que tinha alguém disposto a me amar, e cuidar, mesmo conhecendo todos os meus defeitos e, além disso, eu tinha uma casa, não como as que moramos, mas uma incorruptível. Talvez eu não queira relatar sobre como aconteceu minha conversão, contudo, para falar do que acontece no mundo hoje, preciso introduzir, de alguma maneira, a forma como o Senhor abriu os meus olhos. 

            Enxerguei o mundo durante muito tempo de forma simplista e vaga. A responsabilidade era toda do ser humano, independente do acontecimento. O antropocentrismo era uma das características presentes na minha vida e caráter. Inconscientemente, eu praticava a rebeldia e achava que o único que poderia resolver meus problemas e dar uma visão de futuro a mim era o meu próprio eu. Conhecia o Cristo de ouvir falar, de assistir filmes durante a Páscoa e de ir ao catecismo aos sábados. Nunca fez diferença em meu modo de agir e pensar. As tragédias na natureza, para mim, eram explicadas pela ciência e pelo comportamento estúpido do ser humano e, de verdade, a volta de Jesus não passava pela minha mente, pois as pessoas tratavam-na como “o fim do mundo”. 

            Quando sentia a tristeza invadir meu coração, ou a angústia de não saber o que fazer diante das situações complexas, sempre chorei sozinha. Meus pensamentos não eram compartilhados com ninguém na hora em que o corpo tremia e as lágrimas rolavam com intensidade causando soluços. Todas as coisas me eram lícitas, mas a frase ainda não era completa e fixa, como agora é. Entendi que nem tudo convém, mesmo quando todos dizem que não há problema. 

            Depois de muito tempo vivendo para mim mesma e enxergando todos os desastres como algo natural, e físico, o véu que havia em minha face, impedindo meus olhos de enxergarem o Criador do universo como Ele é, foi retirado pelo Espírito Santo. Jesus segurou minha mão e fez com que meu coração compreendesse que, a partir dali, tudo teria uma explicação por fé, mas completamente verdadeira e racional. Algumas pessoas, por exemplo, não entendem como posso dizer que a fé cristã é racional, porém, ela é completamente fiel a toda a criação. Analise a palma de suas mãos, o movimento de cada articulação do teu corpo, a forma como as nuvens são postas no céu; como elas se dispersam e, ao mesmo tempo, se unem lindamente. Elas fazem o intermédio entre céu e terra, assim como o mar esconde seus segredos no mais íntimo de seu ser. Não é racional dizer que existe um Criador para todas estas coisas? O logos, o verbo, a Palavra é o próprio Jesus. 
            Não quero comprar briga com você que pensa de uma forma diferente, desejo apenas mostrar, com carinho, que tudo tem uma explicação, e o cumprimento das Escrituras. Nas últimas semanas tivemos grandes desastres, o que causou pânico em muitas esferas sociais. Foi registrado o maior terremoto da história do México em 100 anos; vimos a Coreia do Norte achar normal a realização de um teste nuclear no oceano e, hoje, infelizmente, fui obrigar a ler: “Segurança de creche em Janaúba ateia fogo em crianças; quatro morrem, diz Corpo de Bombeiros. Homem também ateou fogo em seu próprio corpo e está em estado grave. Inicialmente, Bombeiros informaram que seis crianças haviam morrido” G1, 05/10/2017. Isso me lembra o que está escrito em Mateus 24:6-12: “Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras, mas não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim. Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá fomes e terremotos em vários lugares. Tudo isso será o início das dores. Então eles os entregarão para serem perseguidos e condenados à morte, e vocês serão odiados por todas as nações por minha causa. Naquele tempo muitos ficarão escandalizados, trairão e odiarão uns aos outros, e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos. Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará”. 

            O homem deseja explicar o mundo através de sua própria razão e conceitos. Sua comodidade, pensamento e popularidade são prioridades. Estudando filosofia e sociologia pude perceber que grande parte dos pensadores da Grécia Antiga, e alemães que se propuseram analisar a sociedade, tem a ideia de que o centro do mundo é o “eu”. Desejaram excluir a religião da sociedade, pois achavam-na retrógrada e escravista, para colocar toda a confiança no que se pode tocar e provar pela ciência, fazendo deles escravos dos próprios pensamentos e fracos para reprimirem seus lados negativos. Contraditório, não? 

            A respeito da “sabedoria” humana, a Bíblia diz: “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornam-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis. Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos do seu coração, para a degradação do seu corpo entre si. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém.”. 

            Muitas pessoas perguntam pela volta de Jesus, zombam dos cristãos perguntando onde está o Cristo que prometeu voltar. Não preciso usar minhas palavras para responder a tais questionamentos; a própria Bíblia encerra o assunto quando diz: “Antes de tudo saibam que, nos últimos dias, surgirão escarnecedores zombando e seguindo suas próprias paixões. Eles dirão: ‘O que houve com a promessa da sua vinda? Desde que os antepassados morreram, tudo continua como desde o princípio da criação’. Mas eles deliberadamente se esquecem de que há muito tempo, pela palavra de Deus, existem céus e terra, esta formada da água e pela água. E pela água o mundo daquele tempo foi submerso e destruído. Pela mesma palavra os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo, guardados para o dia do juízo e para destruição dos ímpios. Não se esqueçam disto, amados: para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não demora em cumprir sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querem que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.”.
            Jesus é real, e coerente.
            “Provem, e vejam como o Senhor é bom. Como é feliz o homem que nele se refugia! ” – Salmos 34:8

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Egocentrismo



         Existiu um homem em Gerasa, fronteira da Galileia, que passava por grande aflição. Ele foi tomado por uma legião de demônios e, há muito, “não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém, vivia nos sepulcros” (Lucas 8:27). O estado dele chamou minha atenção, no entanto, o que fez com que eu, de fato, sentisse paixão pelo texto foi o fato dele ter se prostrado diante de Jesus quando O viu. Lembrei-me de quando a Palavra de Deus diz: “Como está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus” (Romanos 14:11). O Senhor Jesus é majestoso, poderoso, Rei Eterno. Todo poder e autoridade está em Suas mãos (Mateus 28:18).

         Não quero parar por aqui. – Lembro-lhes que o texto tem continuidade e ele diz que Jesus libertou aquele homem do poder das trevas e fez dele são e em perfeito juízo. O versículo 35 do capítulo 8 diz: “... De fato, acharam o homem de quem saíram os demônios, vestido, em perfeito juízo, assentado aos pés de Jesus; e ficaram dominados de terror”. O Mestre libertou aquele homem retirando a legião e pondo-a nos porcos, os quais caíram do penhasco e morreram afogados. O homem foi liberto, contudo, os moradores daquela região não se sentiram satisfeitos, muito menos contentes, com o acontecido. Ali existiam muitos porqueiro e eles, assustados com a quantidade de animais que haviam perdido, expulsaram Jesus da cidade.

         Chamo atenção a algo de extrema importância. Mesmo Jesus tendo feito o bem, demonstrado Seu poder e senhorio, e o homem ter tornado ao seu estado natural, as pessoas continuaram pensando em bens materiais e “prejuízos” financeiros. O homem tem uma grande tendência ao egocentrismo. Tudo parece girar em torno do ser humano e, por isso, muitos tentam encontrar algo inferior a eles para ter como “prova” que Deus não existe; algo que se possa explicar/palpar. O homem parece não querer alguém com mais autoridade e domínio. Não conseguem enxergar que Deus é infinitamente maior do que qualquer coisa que existiu, existe ou venha a existir. O Senhor declarou perante os judeus: “Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8:58). Ele é o Verbo, o Criador do mundo (João 1:1-3).

         A grande maioria não valorizou, todavia, o homem que foi curado por Jesus soube aproveitar para ficar a seus pés aprendendo mais sobre Aquele que pode todas as coisas e que havia realizado um milagre em sua vida. Ele clamou ao Mestre que o permitisse acompanha-lo, porém, o Senhor tinha uma missão, uma espécie de propósito para aquele ser humano que ansiava por mais de Deus: “Volta para casa e conta aos teus tudo o que Deus fez por ti” (Lucas 8:39). E ele foi. Todas as coisas que Jesus lhe fizera foram anunciadas. Sabe, egocentrismo representa alguém egoísta, ou seja, que se importa mais consigo mesmo do que com qualquer outra pessoa. Não sejamos como os porqueiros de Gerasa mas, sim, servos humildes que reconhecem a importância de estar aos pés do Único capaz de salvar, curar, restaurar, santificar. Ele pode todas as coisas.